quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Um Santo Verde

Muita gente está hoje comemorando o Dia Internacional dos Animais, mas poucos Pagãos se lembram que isso é devido ao fato deste dia ser sagrado pela Igreja Católica a São Francisco de Assis -- sim, ele mesmo, o pequeno e humilde místico italiano que se tornou santo e conseguiu admiradores em todos os tempos e épocas (e credos: mesmo os Protestantes, com sua ojeriza por humanos semidivinizados, tem por ele um respeito fora do comum).
Antes que me entendam errado, eu NÃO estou dizendo que ele era um Pagão disfarçado, infiltrado na Igreja para subvertê-la a partir de dentro; ele era um crente verdadeiro na Cristandade, mas o modo como ele professava a sua fé era efetivamente subversivo em vários aspectos -- ele via a Natureza como obra Divina e todos os seres que dela fazem parte como seus irmãos e irmãs, ele via a busca pela riqueza e poder como desvios da verdadeira mensagem de Cristo e ao invés disso enfatizava a devoção aos pobres e humildes, e foi por isto considerado pela Igreja da época como um possível herege: sua Ordem demorou para ser aprovada pelo Papa, sobretudo quando ele foi tentar pregar o fim das Cruzadas e a paz entre a Europa cristã e o Oriente islãmico, e mesmo anos após sua morte seus sucessores foram vistos com desconfiança por séculos.
No entanto, desafio qualquer Druida a ler a história do lobo de Gubbio ou o Cântico das Criaturas e não perceber que, mesmo sendo cristão, ele era um dos nossos...
Como já disse antes, o Druidismo deveria ter por missão não converter o mundo à nossa causa sagrada, o retorno à Natureza, mas sim lembrar aos Cristãos e às outras fés que essa reverência ao mundo natural como imagem do Sagrado já faz parte de suas crenças, mesmo que tenha às vezes sido esquecida -- que tal, neste dia, e em todos os dias, ajudar as pessoas a verem isso mais claramente, com exemplos como o do Poverello?

Bendita a Natureza, imagem do Sagrado
Benditos os que A reconhecem como tal
Benditos os que vivem sua devoção a Ela
Em mil fés, línguas e nações

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Floresta

Eu sempre digo que "uma floresta é feita de vários tipos de árvores"...
Depois que completei os meus 30 Dias Druídicos, vários membros da comunidade druídica tomaram para si o desafio e estão fazendo os deles -- até agora Wallace, Laise e Ruairí entraram, mas à medida que outros se juntarem a nós eu vou editar este post para inclui-los, de modo a tornar mais acessíveis as diversas visões sobre os mesmos temas, e quem sabe assim incentivar os outros -- sim, é de VOCÊS que estou falando!
(01/01: JP Bach também entrou!)
(03/01: hoje o Matthes entrou também!)
(08/01, com atraso: Aengus e o Druida do Vento estão conosco)
(16/01: Marcelo William começou hoje!)
(27/01: Marcílio deu o ar de sua graça ;-))) )
(25/02: Rowena entrou na dança ;-))) )
(06/03: Renata começou agora!)
(16/04: Marina se juntou a nós!)
(15/05: Juliana chegou !!!)
(11/06: Beansidhe está começando...)
(29/11: Mayra, enfim, começou!)
(01/12: Malhado aderiu!)
(16/02/16: Karla vem quebrar o intervalo!)
(09/08/16): Jully chegou ;-)
(22/04/20)...e refez a experiência em vídeo no Youtube :-o
(18/04/20): e Máh está quase terminando no Facebook ;-)

Bendita a Floresta, que cresce sem cessar
Benditas suas árvores, crescendo em diversidade
Benditas as sementes que o vento dispersa
para fazer a Floresta sempre crescer

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Solstício




Ninguém sabe porque, mas nos inícios da história humana as pessoas se mobilizaram para construir monumentos de pedra por toda a Europa, enquanto outros grupos na Oceania, Ásia e Américas eram separadamente movidos pelo mesmo impulso e criaram estruturas similares -- todas elas orientadas pelos movimentos aparentes do Sol, da Lua e das estrelas, marcando os quatro momentos astronômicos que abrem as estações do ano.
Essas culturas já não estavam por ali quando os Celtas chegaram ao ocidente europeu, mas os monumentos ficaram lá como testemunho de seu conhecimento: não seria demais achar que os Druidas se puseram a examinar as estruturas e a decodificar seu mecanismo, mesmo não tendo nada a ver com os seus construtores e nem dando importância especial aos Solstícios e Equinócios como datas rituais (as festas de Manannán em Manx e de Áine na Irlanda ocorrem no Solstício de Verão, mas não são sazonais em si mesmas)
Nós, que moramos em São Paulo, que é cortada pelo Trópico de Capricórnio, hoje perdemos as sombras ao meio-dia, pois o Sol fica exatamente no zênite nessa data e hora -- o Relógio de Sol da Universidade de São Paulo marca o momento, uma linha vertical da ponta do gnômon até a linha do Solstício, como nas fotos acima; dá para sentir o Sol como um caldeirão de onde o Fogo celeste é derramado em força total e carrega a Terra de energia vital, que transborda e vivifica a todos os seres ao ponto da sobrecarga -- calor, lentidão, o próprio tempo parece correr mais devagar nestas semanas antes e depois do Solstício -- mas esse triunfo é o começo do fim, os dias agora vão se tornando mais curtos e as noites mais longas, até o Inverno chegar seis meses depois.
O dia mais longo, a noite mais curta, eis que o Solstício de Verão chegou!

Bendito o Fogo derramado do Sol
Bendito o dia longo em que Ele reluz
Bendita a noite curta em que Ele dorme
e sonha com a Terra embebida de Luz

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Epona

Ontem, 18 de Dezembro, foi comemorado por muitos o dia consagrado a Epona, a deusa-égua, divindade pan-Céltica dos cavalos e da Soberania, cultuada até mesmo pelos Romanos após a dominação dos Celtas.
Há três temas míticos associados a Ela, direta ou indiretamente, que apontam para uma questão que tende a ser ignorada mas que é essencial para o nosso tempo.
No mito, uma Divindade hediondamente feia pede um beijo aos candidatos a herói, o que a maioria recusa: apenas o verdadeiro herói atende o pedido e descobre a beleza oculta atrás da feiúra, recebendo Dela o dom da Soberania.
No rito, o candidato a rei tem relações sexuais públicas com uma égua branca, que depois é sacrificada e cozinhada para ser servida ao povo pelas mãos do rei, que é banhado no caldeirão do cozido durante o banquete.
Na lenda, uma família nobre tem sua origem na união do ancestral com a Soberania, que assume a forma da égua antes ou depois da união.
O que há em comum aos três temas? A idéia de que a Soberania é um Poder autônomo, provindo do Outro-Mundo, que dá seus favores aos que a vêem como realmente é, olhando além das aparências (ou, como digo, com olhos-de-Druida).
E o que isso tem a ver conosco, mortais plebeus do século XXI?
Não se trata de restaurar a monarquia, ou de conferir poderes quase-reais a um líder carismático que nos livre das crises contemporâneas: os reis tiveram sua chance em seu tempo, e o exemplo alemão do que acontece quando se dá ouvidos a um carismático-mas-louco líder ainda está, ou deveria estar, bem fresco na memória.
O que este tempo parece exigir de todos nós, de cada um, é que a Soberania seja cortejada e desposada por todos, sem exceção -- que cada pessoa assuma o governo de sua casa, sua vida, seu mundo, e que todas essas vontades soberanas se aliem num pacto para governar nosso mundo numa regência compartilhada em nome da Soberania, a legítima Rainha, de quem todos seremos os consortes.
O grande obstáculo aqui está expresso nos mitos: a Soberania é horrível, e a primeira reação diante dela é a repulsa -- muitos, se não a maioria de nós, temos horror à idéia de governo, política, administração ou poder, e tendemos a explicar isso por via de um idealismo equivocado que vê o poder como sujo, vil, corrupto/corruptor, "feio" em suma, e assim falhamos no teste que Ela propôe.
Só quando olhamos com olhos-de-Druida podemos ver a verdadeira face da Soberania e entender que, qualquer que seja o nosso dán, parte dele implica em desposar a Soberania e assumir nossos deveres junto a todo mundo como co-regentes em nome Dela -- parte da força dos recentes movimentos civis pelo mundo afora, protestando contra os desmandos das autoridades constituídas, vem dessa consciência ainda obscuramente pressentida de que eles tem um mandato para governar e a responsabilidade de usá-lo bem para o bem geral, de que a Soberania não é um título vazio ou a mera promessa de riqueza ou poder, mas sim uma Deusa a ser cortejada e desposada, se passarmos no teste e nos provarmos merecedores disso.
Ainda é tempo: hoje mesmo, ofereça uma rosa a Epona, faça uma oração breve de agradecimento -- e se ela pedir um beijo, olhe bem nos olhos Dela e não recuse...

Bendita a Soberana, Rainha do Mundo
Bendita a Égua Branca na Colina Verde
Benditos os que A reconhecem como Rainha,
pois regerão o mundo em Seu Nome

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Conselhos

E para quem leu cada um destes 30 Dias Druídicos, e sentiu que algo dentro da alma ressoou em sintonia com o que foi expresso, e quer que este caminho seja também o seu caminho... que conselhos eu teria para dar?
Eu evitei de propósito falar de arqueologia, liturgias elaboradas, panteôes ou culturas Celtas, porque cada pessoa vai ter afinidade por coisas particulares e o que se aplique a um não vai servir para outro: assim, eu vou recorrer ao Budismo quando ele fala dos Três Refúgios, ou buddha, dharma, sangha, e propor equivalentes druídicos como conselho.
Dharma, "caminho" ou "lei", aqui será traduzido como "estudo": muitos livros bons foram escritos sobre as culturas Celtas, e muitos deles são disponíveis em sites como os que estão na coluna da direita deste blog -- história, arqueologia, mitologia, textos traduzidos do Irlandês, suas aplicações feitas por grupos modernos dentro e fora do Brasil: pegando emprestada dos Ásatrú uma definição, o Druidismo é uma religião com muita "lição-de-casa"...mas sempre há muita informação incorreta misturada à correta na Internet, sites que dizem que os Druidas vieram da Atlântida ou coisas piores, e aí como separar o trigo do joio?
Sangha, "comunidade", é a resposta: é importante encontrar outros seguindo este caminho, em várias listas de discussão ou blogs, e participar do diálogo nelas -- e aí não se deve ter vergonha de não saber e por isso não perguntar, pois o ditado diz "quem faz muitas perguntas parece tolo, quem não faz nenhuma pergunta é tolo"; seja via Internet, seja no contato pessoal com grupos em sua localidade, as pessoas terão prazer em responder perguntas e propor leituras; além do mais, a convivência com pessoas que pensam de modo parecido e dos laços de amizade que aí se formam são ganhos inestimáveis em si mesmos.
E Buddha, "Buda", não é o Buda histórico (para o qual não temos um equivalente druídico), mas o que os Budistas chamam de "natureza búdica", ou a condição inerente de todos os seres e coisas de partilharem do Sagrado -- no nosso caso, implica na busca pessoal da natureza sagrada dentro de si mesmo via meditação e oração e na prática da ética no dia-a-dia, ou seja, despertar o Druida interior, seja lá como ele seja concebido: talvez seja o caso de perguntar a si mesmo, "como é o meu Druida ideal?" e tentar se tornar esse ideal-de-Druida um pouco a cada dia...
Uma advertência cabe aqui: o Druidismo não é o caminho mais perfeito que todos os outros, não temos respostas prontas para as grandes questões da existência, não prometemos a libertação deste mundo imperfeito e seus múltiplos problemas -- em vez de respostas só nos propomos a fazer as perguntas corretas, em vez de fuga do mundo só oferecemos o caminho da integração a ele, em vez de perfeição nós vemos as imperfeições da vida como sendo notas da Grande Canção e nos esforçamos para ser tão afinados quanto possível...
Se o acima exposto desencorajar alguém, talvez o Druidismo não seja o seu caminho; se assustar alguém, saibam que todos nós temos de vez em quando o mesmo susto diante da enormidade da tarefa à nossa frente; se entusiasmar quem leu, é porque vocês, como tantos de nós, já estão no caminho druídico e não sabiam -- a esses, damos as boas-vindas, na melhor tradição Celta da hospitalidade, e esperamos poder ser de alguma ajuda no caminho!

Bendito quem dá o primeiro passo
Benditos os passos que o trouxeram até aqui
Bendito o Caminho seguido em parceria
para o bem de todos os seres

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Futuro

Não precisamos do Ogham, de ler os presságios, ou das Profecias de Merlin para saber de uma coisa sobre o futuro com certeza absoluta: ele virá, quer o queiramos ou não.
Estamos agora, no começo do século XXI, numa crise de dimensões planetárias: economias desmoronam, populações levantam-se contra os governos que as oprimem, a poluição e o desmatamento ameaçam alterar o clima da Terra, religiôes se enfrentam como exércitos em batalha...
E no entanto, e não por acaso, nós estamos aqui agora: nosso dán nos levou a estarmos vivos nesta era de mudanças com todas as ameaças e promessas que isso acarreta, e tendo (re)descoberto o Druidismo como sendo o nosso caminho, nos perguntamos: como agir, qual é a nossa contribuição para sanar essas crises e trazer a harmonia ao nosso mundo?
Nós somos tanto os beneficiários da herança cultural e espiritual dos Celtas quanto essa herança se beneficia de nós; do mesmo modo que o primeiro humano a pisar na Lua disse "a Terra é o berço da Humanidade, mas não se pode permanecer para sempre no berço" eu digo: os territórios Celtas são o berço do Druidismo, mas ele terá de sair pelo mundo para sobreviver.
Nós, brasileiros que seguimos o caminho druídico, temos diante de nós a tarefa de fazer o Druidismo europeu se aclimatar em solo nativo, sabendo que esse Druidismo brasileiro não vai poder ser homogêneo em vista dos vários ecossistemas e regiôes que compôem nossa terra -- cada lugar terá o seu próprio modo de ser druídico, modificado por clima, fauna, flora, geografia e geologia, assim como pelas culturas locais e pelas tribos de Espíritos da Natureza que ali se manifestam -- mas que aquilo que nos une, os laços de amizade e os ideais de um modo de vida em harmonia com tudo e todos que nos rodeiam, será sempre mais importante que essas diferenças que nos separam.
John Michael Greer escreveu em 2004 uma carta-manifesto, Druidry and the Future, onde ele lançou o desafio de que cada Druida deveria aprender e dominar três disciplinas -- ecologia (teoria e prática, como restaurar ecossistemas danificados), cultivo/criação orgânicos, sistemas de cura natural e prevenção de doenças -- e ensiná-las a mais pessoas, pois nos tempos que virão, à medida que as pessoas despertarem para a necessidade de reconstruir sua relação com este mundo e com o Outro-Mundo, será a nós que elas procurarão, vendo em nós e nosso modo de vida uma tábua de salvação nos mares tempestuosos que se aproximam.
Mas não se trata de converter todos ao Druidismo, pois a mesma diversidade que é essencial ao mundo natural vale também para o mundo cultural, um não pode ser pensado sem o outro -- não, a tarefa é mais grandiosa e difícil, o que teremos que fazer é relembrar cada cultura e religião humanas de suas próprias raízes na Natureza: fazer os Cristãos lembrarem dos exemplos de São Francisco, São João Gualberto, Santa Brígida e outros, os Judeus da missão de Adão de zelar pelo Jardim do Éden, os Islâmicos de que a Natureza é obra de Allah -- não viemos destruir, mas restaurar, e nesse respeito pelo caminho alheio devemos basear nossa missão.
Dizem que o dito Chinês, "que você viva em tempos interessantes", é na verdade uma praga rogada poeticamente; mas, movidos pela esperança de um destino melhor para nós e nosso mundo, vamos lê-la como uma promessa, de que nosso dán, orientado pela Inspiração sempre acessível a todos nós, nos conduzirá por caminhos seguros para um novo mundo...

Bendita nossa jornada, que nos trouxe até aqui
Bendito o Sagrado que nela se expressa
Bendita a missão diante de todos nós,
e a Inspiração que a revela a cada passo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Caminho

E, tendo visto apenas um dia na vida de quem segue o Druidismo, o que podemos esperar do caminho druídico a longo prazo, como projeto de vida?
A rotina diária de oração, meditação, rito e estudo (e suas aplicaçôes ao longo do dia) vai pouco a pouco causando mudanças sutis no praticante: maior capacidade de atenção, concentração e percepção, maior tolerância ao stress e às situações e pessoas em geral, mais energia vital e disposição, maior entendimento das pessoas e da vida em geral, conduta mais ética e responsável, comportamento sociopolítico menos alienado e mais participativo -- na verdade essa é a pedra de toque para saber se um caminho espiritual é legítimo ou não: se você está se tornando uma pessoa melhor ao segui-lo, então você está no caminho certo...
Ao longo dos meses e anos, a vivência dos ciclos da Lua, do Sol e das estações, mesmo que não seja no formato ritual da Roda do Ano, vai pouco a pouco moldando o praticante, como se fosse ele a crescer e minguar, murchar e rebrotar, em harmonia com os sistemas ecoplanetários dos quais faz parte.
Mesmo os ciclos da vida humana e os ritos a eles associados -- formatura, casamento, filhos, aposentadoria -- começam a ser vistos como reflexos do ciclo vital manifestados na vida humana, estações que avançam em direção a um Inverno obscuramente pressentido, para o qual os anos de estudo e prática do Druidismo são uma preparação gradual e cuidadosa.
Pois é fato, com o qual todas as linhas druídicas concordam, que a Natureza é nossa mestra; e um ensinamento crucial dela, que qualquer pessoa com algum miolo na cabeça pode aprender com cinco minutos de observação no mato, é que todas as coisas têm um tempo de vida definido, plantas, pessoas, cidades, civilizações...
"Tudo o que nasce deve morrer", poderíamos formular o ensinamento assim -- mas ele só pode ser um guia eficaz se tiver consigo a segunda parte, "Tudo o que morre deve renascer": quando tomamos consciência de que vamos voltar a esse mundo, que "as canções de nossos ancestrais são também as canções de nossos filhos", maior é nossa responsabilidade de zelar pelo mundo que deixamos para trás ao morrer, pois é a ele que iremos voltar no tempo devido.
E nosso dán, nossa vocação, nosso dom e destino, vai se revelando a nós a cada passo da jornada, tornando mais clara a direção a seguir, como um rio no qual navegamos e cujas águas também matam nossa sede e a sede dos que vão conosco.
Parece um bom caminho a seguir, não?

Bendito o Caminho, rio que flui
Bendita a barca com que nele navegamos
Bendito quem segue o Caminho
e partilha de suas Águas com todos