sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Conselhos

E para quem leu cada um destes 30 Dias Druídicos, e sentiu que algo dentro da alma ressoou em sintonia com o que foi expresso, e quer que este caminho seja também o seu caminho... que conselhos eu teria para dar?
Eu evitei de propósito falar de arqueologia, liturgias elaboradas, panteôes ou culturas Celtas, porque cada pessoa vai ter afinidade por coisas particulares e o que se aplique a um não vai servir para outro: assim, eu vou recorrer ao Budismo quando ele fala dos Três Refúgios, ou buddha, dharma, sangha, e propor equivalentes druídicos como conselho.
Dharma, "caminho" ou "lei", aqui será traduzido como "estudo": muitos livros bons foram escritos sobre as culturas Celtas, e muitos deles são disponíveis em sites como os que estão na coluna da direita deste blog -- história, arqueologia, mitologia, textos traduzidos do Irlandês, suas aplicações feitas por grupos modernos dentro e fora do Brasil: pegando emprestada dos Ásatrú uma definição, o Druidismo é uma religião com muita "lição-de-casa"...mas sempre há muita informação incorreta misturada à correta na Internet, sites que dizem que os Druidas vieram da Atlântida ou coisas piores, e aí como separar o trigo do joio?
Sangha, "comunidade", é a resposta: é importante encontrar outros seguindo este caminho, em várias listas de discussão ou blogs, e participar do diálogo nelas -- e aí não se deve ter vergonha de não saber e por isso não perguntar, pois o ditado diz "quem faz muitas perguntas parece tolo, quem não faz nenhuma pergunta é tolo"; seja via Internet, seja no contato pessoal com grupos em sua localidade, as pessoas terão prazer em responder perguntas e propor leituras; além do mais, a convivência com pessoas que pensam de modo parecido e dos laços de amizade que aí se formam são ganhos inestimáveis em si mesmos.
E Buddha, "Buda", não é o Buda histórico (para o qual não temos um equivalente druídico), mas o que os Budistas chamam de "natureza búdica", ou a condição inerente de todos os seres e coisas de partilharem do Sagrado -- no nosso caso, implica na busca pessoal da natureza sagrada dentro de si mesmo via meditação e oração e na prática da ética no dia-a-dia, ou seja, despertar o Druida interior, seja lá como ele seja concebido: talvez seja o caso de perguntar a si mesmo, "como é o meu Druida ideal?" e tentar se tornar esse ideal-de-Druida um pouco a cada dia...
Uma advertência cabe aqui: o Druidismo não é o caminho mais perfeito que todos os outros, não temos respostas prontas para as grandes questões da existência, não prometemos a libertação deste mundo imperfeito e seus múltiplos problemas -- em vez de respostas só nos propomos a fazer as perguntas corretas, em vez de fuga do mundo só oferecemos o caminho da integração a ele, em vez de perfeição nós vemos as imperfeições da vida como sendo notas da Grande Canção e nos esforçamos para ser tão afinados quanto possível...
Se o acima exposto desencorajar alguém, talvez o Druidismo não seja o seu caminho; se assustar alguém, saibam que todos nós temos de vez em quando o mesmo susto diante da enormidade da tarefa à nossa frente; se entusiasmar quem leu, é porque vocês, como tantos de nós, já estão no caminho druídico e não sabiam -- a esses, damos as boas-vindas, na melhor tradição Celta da hospitalidade, e esperamos poder ser de alguma ajuda no caminho!

Bendito quem dá o primeiro passo
Benditos os passos que o trouxeram até aqui
Bendito o Caminho seguido em parceria
para o bem de todos os seres

5 comentários:

caerynis disse...

Fechou os 30 dias com chave de ouro! Obrigado por compartilhar conosco sua sabedoria e seu druidismo cotidiano.

Renata Gueiros disse...

Fechou o mês com chave de ouro, Endovelicon, parabéns e obrigada. Abençoado sejas sempre! /|\

Samantíssima disse...

Endovelicon, sábias palavras, todos nós fomos privilegiados nestes 30 dias!!!
Poderia esticar isso!!

Samantíssima disse...

Quanta inspiração, quanto privilégio!!
30 dias que poderiam se estender sempre..
Só temos à agradecer! /|\

José Xavier disse...

Obrigado pelas palavras, fico encantado com a escrita e me senti cada vez mais empolgado por conhecer melhor o caminho no qual estou adentrando.