quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Divindade e Crença

Para falar das Divindades, näo vou falar dos panteôes dos povos Celtas, mas vou fazê-lo por um caminho algo tortuoso, para o que peço a paciência de quem me ler.
Dizem que uma imagem vale por mil palavras...






Pergunto: quais são as cores do arco-íris?
Se os que me lêem são ocidentais modernos, como deve ser o caso, dirâo "sete": vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta -- no entanto, esse "meme" das 7 começou com Isaac Newton, criador da moderna teoria do espectro das cores, e que estabeleceu o número sete para fazer par com as sete notas musicais e os sete planetas clássicos.
Goethe, criador de uma teoria alternativa das cores, diria "seis" com a exclusão do anil.
Chineses, e depois os Japoneses, diriam "cinco", fundindo azul e violeta, fazendo par com os cinco Elementos do Taoísmo e as cinco notas da escala pentatônica.
Os Nórdicos antigos, falando da Bifrost, a Ponte do Arco-Íris, diriam "três", vermelho, amarelo, azul.
Um certo povo aborígine (cujo nome sabia, mas esqueci) diria "duas" -- sim, o vocabulário de cores deles se resume a "cor quente" e "cor fria" (ou "vermelharanjamarelo" e "verdazulanioleta").
Portadores do daltonismo completo diriam "uma" -- o arco-íris para eles é uma faixa cinza luminosa e sem gradação perceptível.
Cegos não responderiam, pois a questâo está fora do seu universo cognitivo.
Onde quero chegar com isso?
Bem, se para falar de um fenômeno físico objetivo, de cuja existência real ninguém discorda, que pode inclusive ser fotografado e filmado, não existe um consenso estabelecido que dê uma resposta única à minha questão, é de se estranhar que ao abordar o Sagrado, cuja mera existência é foco de controvérsia, o desacordo seja ainda maior?
Politeístas vêem o Divino como Muitos (discordando do número exato), Católicos e Hindus de alguns grupos o vêem como a Trindade, Zoroastrianos e Wiccanos são duoteístas, Judeus e Islâmicos falam do Único Deus, ateus negam a Divindade...
Eu sou politeísta exclusivo, não consigo perceber o Divino sem ser no plural (e isso desde a infância, ao reconhecer os deuses Gregos nos livros de Monteiro Lobato como sendo algo que eu já conhecia); no entanto, depois que a Inspiração me mandou essa idéia do arco-íris, ficou mais fácil para mim compreender as crenças dos outros, mesmo não sendo as minhas -- agora, para mim, "crença" é apenas o filtro pelo qual nossa consciência tem acesso ao Sagrado, e o meu filtro não tem porque ser melhor ou pior que o dos outros, é apenas o meu; agora, juízos de valor não tem mais razão de ser, porque mais importante que a crença é a experiência viva do Divino e a reação universal diante dele:

"Pois foi em redor da Liberdade que os homens travaram suas batalhas; por oposição, ante a face da Beleza, todos os homens estendem as mãos uns aos outros como irmãos"
(Khalil Gibran)

Bendito o Divino, real em Si Mesmo
Bendita cada crença que revela o Divino
Bendita a diversidade de crenças,
Pois uma floresta é feita de todo tipo de árvores

2 comentários:

Beltrano disse...

Simplesmente inspirador!

Lua d'Inverno disse...

Excelente! Um dos melhores posts até agora! :)