segunda-feira, 30 de março de 2026

30DVII - Revisão

E, tendo chegado ao fim destes 30 Dias do Aliado Vegetal, a que conclusões chegamos?
Como já disse anteriormente, foi uma experiência particularmente intensa de imersão no mundo particular do Loureiro, um reforçar dos laços entre nós, e uma verdadeira educação sobre como se aproximar da planta em todos os níveis; como prática didática, eu recomendaria a todos os Vates ou outros seguindo caminhos com ênfase no herbalismo como um processo onde inevitavelmente a pessoa sai da experiência sabendo, fazendo e sendo mais do que antes de ter entrado no desafio.
Que agora deixo em suas mãos. 

domingo, 29 de março de 2026

30DVII - Valores do Herbalista

O tema de hoje é central, no sentido de que se eu fosse fazer outra jornada dos 30DV com outra planta (e isso não está fora de cogitação) eu repetiria o mesmo texto a cada vez, desde que não há motivos para os valores da prática do herbalismo serem diferentes a cada planta estudada.
Dito isso, eu começaria pelo aspecto ambiental/ecológico: o bom herbalista procura manter o equilíbrio do ambiente onde colhe suas plantas, não poluindo o local, não danificando as plantas no processo da colheita, deixando sempre uma parte sem colher para usufruto dos seres do habitat (incluindo outros herbalistas!) e fazendo uso integral do que colheu, sem desperdiçar nada, e sempre que possível retribuir ao ambiente, seja devolvendo a matéria descartada da planta após seu processamento, seja periodicamente fornecendo água e/ou adubo ao local.
Outro aspecto é o espiritual: o bom herbalista participa de uma visão de mundo animista, onde as plantas são pessoas de direito e que devem ser respeiradas como tal; criar hábitos como o de pedir licença às entidades do local antes de entrar no ambiente, pedir permissão à planta para colher o que precisa (e explicando o que pretende fazer com o que colheu), deixar periodicamente oferendas de agradecimento pelo auxílio prestado, meditar frequentemente nos aspectos psíquicos da planta e estabelecer relacionamentos recíprocos com ela, ao invés de considerá-la uma mera fonte de matéria prima, e procurar ter em mente a essência viva da planta durante o preparo dos medicamentos, a serem considerados aspectos manifestados da entidade-planta em vez de meros compostos moleculares frios e sem vida.
E por fim o aspecto social: o bom herbalista percebe a si mesmo como membro de um meio social com o qual está em interação constante, e ao qual serve com sua arte e ciência: é seu dever manter-se atualizado com boas práticas e procedimentos, ter sempre em mente o bem-estar das pessoas que a ele recorrem, partilhar com elas não só o conhecimento das ervas mas também a responsabilidade e as decisões sobre a melhor conduta a cada caso, e lembrar sempre que elas também são entidades tanto espirituais quanto materiais, que não basta dizer "tome este chá, volte em 2 semanas" sem tentar entender os processos que levaram a doença a se manifestar e ajudar a pessoa a entendê-los e ser participante ativa do processo de cura.

sábado, 28 de março de 2026

30DVII - Pessoal

Hoje é o dia mais subjetivo dos 30 Dias, porque implica em avaliar a mim mesmo (aquela pergunta que eu gosto de fazer a quem completou outros desafios, "o que mudou, o que continua o mesmo?")
Descobri que é realmente desafiador ir atrás das informações requeridas a cada dia, e ver o que vou aprender nesta etapa; nas partes mais práticas, o desafio é encontrar tempo suficiente para realizar as tarefas no dia em questão, como quando encontrei os nomes novos do loureiro.
E descobri que incluir o louro em pó no meu dia-a-dia faz sentido, levando em conta todas as suas propriedades naturais e sobrenaturais.
Então, eu mudei.

sexta-feira, 27 de março de 2026

30DVII -- Experiência

No ciclo da Amoreira eu descrevi/imaginei uma experiência de imersão na sua essência, usar simultaneamente todas as suas formas (chá, tintura, culinária, óleo, incenso, banho, talismã, etc) com a ressalva que fazer isso ao mesmo tempo, ou ao longo de um mesmo dia, não é exatamente a coisa mais exequível e acessível à maioria das pessoas (incluindo eu mesmo...); para o ciclo do Louro, eu vou me ater só a uma forma, mas preparada e desfrutada em atenção total e intenção focada na comunhão com a planta.
Então, eu decidi experimentar fazer o chá de louro com a folha em pó, não inteira, e ver se isso modificava significativamente o gosto e o cheiro: preparei, tomei, observei a experiência imediata.
O gosto e aroma ganharam uma qualidade mais amadeirada/terrosa, com o perfume básico do louro no fundo, e a sensação final é energizada e despertadora da consciência interna e externa: só tenho a dizer que recomendo.

quinta-feira, 26 de março de 2026

30DVII -- Canção/Poema

Este poema foi escrito por Ursula K. Le Guin em 1987, como parte do livro Buffalo Gals and Other Animal Presences, e aqui ele recebeu uma trilha sonora composta por Christopher M. Wicks em 2007, como parte do show/antologia Songs of the Here and Now.
Desfrutem.
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A COROA DE LOURO

Ele gostava de sentir meus dedos em seu cabelo.
Então ele os arrancou de mim, fez com eles uma guirlanda,
e a usa em paradas e torneios,
meus dedos mortos cheirando a cozinha entrelaçados em seus cachos ensolarados.
Às vezes ele repousa reclinado em mim.
Fora isso, ele parece ter se desinteressado.

Não foi para preservar minha virtude que fugi!
O que faria uma ninfa como eu
com algo que pertence aos homens?
É só que eu não estava a fim.
E ele não se importou. E isso me assustou.

Os garotos de pernas-de-bode mal sabem falar,
e no entanto esperam até saber pelo cheiro que
você quer trepar com um perna-de-bode nos bosques,
rolando e se arranhando e rindo -- eles sabem rir!
Pobres pauzinhos peludos, sinto saudade deles.

Quando nos cansávamos desse tipo de coisa,
minhas irmãs ninfas e eu nos deitávamos por aí
para falar, e provocar, e acariciar, e perseguir, e espreguiçar
ansiando por outra conversa, e dormir
à sombra tépida lado a lado
sob a folhagem, e tudo nos agradava.

E então os mortais caçadores do gamo,
os clandestinos, os pastores decíduos --
eles ficavam de boca aberta, olhos como corujas,
sem mesmo uma esperança, ainda que eu lhes sorrisse...
Novos a cada primavera, como narcisos, esses garotos. 

Mas uma vez por quarenta anos encontrei um homem
nas colinas da Arcádia tosadas por carneiros.
Beijei suas rugas, ravinas do tempo
onde não posso entrar, olhando o escuro de seus olhos
que se apagou e aprofundou, vendo cada vez menos, até morrer.
Eu acompanhei seu funeral. Entre os aldeões 
caminhei atrás de sua grisalha esposa.
Ela podia ter sido a esposa do Tempo, minha avó.

E então havia meus irmãos das correntezas,
ó meus rios-amantes de línguas de prata,
tão doces para a sede! O frio, prolongado deleite
de um rio se movendo por mim, seu fluir e fluir e fluir!
Eles enviam a minhas raízes sua gentileza, mesmo agora,
e lentamente bebo das mãos de minha mãe. 

E isso era tudo o que eu conhecia, até ele chegar,
duro, brilhante, ardente, seco, atento:
uma só vontade, ao invés de desejos em encontro,
nenhum centro senão ele mesmo, o Sol. Um Deus
é assim, eu suponho: ele tem que ser.
Mas então, eu nunca pedi para conhecer um deus,
quanto mais fazer amor com um. Porque ele achava
que eu queria? E quando eu lhe disse não, 
qual o dano que ele pensava que isso lhe causou?
Não deve ser difícil achar uma garota ansiosa
para amar um deus grande e louro de olhos azuis.
Ele disse isso, ele falou "vocês são todas iguais".
Ele nos viu a todas, ele sabe. Então, porque eu?

Eu acho que o tempo tinha chegado para mim
de abandonar a nudez, de me vestir.
E foi preciso um deus para me levar a isto.
Minha mãe nunca pôde. Então, eu vesti
minhas meias castanhas e com nervuras, 
e minha roupa de baixo de sedoso câmbio,
e meu vestido verde.
E me tornei minha roupa, sendo o que vestia.

Não corro mais: os ventos me dançam.
Minha irmã, costureira, ascende soberana
da escuridão sob as raízes 
para remendar minhas roupas em Abril. E eu permaneço
em minha verde paciência nas chuvas de inverno.

Ele me honra, diz ele, ao vestir
meus dedos tornados marrons e quebradiços, entrelaçados no luminoso cabelo de sua cabeça.
Ele canta.

Meu silêncio coroa a canção. 

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(traduzido do inglês por Ricardo Soares Silva  (Endovelicon) em 26 de Março de 2026 para publicação n'O Bosque do Javali nesta data; republicação permitida APENAS sem fins lucrativos, devendo obrigatoriamente constar o nome do tradutor e da autora e um link para esta postagem)

quarta-feira, 25 de março de 2026

30DVII - Talismã

Como na ocasião da Amoreira, hoje eu tenho um talismã de louro antigo e um atual.
À esquerda eu tenho o meu dado ogâmico, ideia do meu amigo Ricardo Aguiar (dos tempos do Ramo de Prata): um pedaço de madeira com cinco faces e marcas de 1 a 5 em cada aresta, que ao ser jogado cai com uma das arestas para cima -- se eu jogo uma vez e cai 2, é o 2o. aicme (família) de letras, e jogando outra vez tenho o 3, que indica o fíd (letra), então isso é a 3a. letra da 2a. família, ou seja, Tinne/Azevinho; parece difícil enquanto você não estiver familiarizado com a sequência das letras, mas então é um método simples, rápido e supremamente portátil de consulta oracular.
À direita está o talismã que eu fiz hoje de manhã, uma folha de louro devidamente despertada e conjurada com um sigilo mágico em tinta dourada, para ser levada na carteira e ir agindo ao longo do tempo de modo sutil mas poderoso.
Os poderes divinatório e manifestador do louro, em forma visível e utilizável por todos.

terça-feira, 24 de março de 2026

30DVII - Escrever Nova Fonte III

(cont.)
MAGIA: cura, divinação, manifestação de desejos, purificação, proteção contra o mal, ritos de benzimento, vitória 

ASTROLOGIA: planeta Sol, elemento Fogo

CONTRAINDICAÇÕES: uso concomitante de hipoglicemiantes, gravidez e amamentação 

INTERAÇÕES: hipoglicemiantes (hipoglicemia), sedativos/benzodiazepínicos/anestésicos (sedação)

DOSE: 1 colher de sopa de folhas secas para 1-2 xícaras de água fervente, 3 a 6 xícaras por dia; 
uso excessivo pode causar gastrite/úlcera (oral) ou alergia/dermatite (tópico)