domingo, 1 de março de 2026

30DVII - Intenção

E aqui começamos mais um ciclo.
Minha intenção nestes novos 30 Dias é basicamente a mesma de 2022, ou seja, aprender mais sobre a planta da minha escolha, fazer isso como uma prática devocional do Caminho dos Vates (como uma novena, mas 3X mais longa) e encarar esse ciclo como uma iniciação nos mistérios da Planta em questão - a diferença é que desta vez eu já escolhi a planta que será o foco do meu trabalho (ou ela me escolheu, o que dá na mesma), mas falaremos disso amanhã. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Desafio II

Anos depois do primeiro ciclo, eis que inicio uma nova edição dos 30 Dias do Aliado Vegetal, um desafio imersivo de explorar por um mês completo uma planta importante para a sua prática espiritual e, assim, reforçar seus vínculos com ela (além de aprender mais e, partilhando o aprendizado, ensinar a mais pessoas); como da outra vez apresento aqui o currículo, dividido nos seguintes temas: 

1 – Intenção 
2 – Escolha 
3 – Nomes 
4 – Habitat 
5 – Colheita 
6 – Olfato/Paladar 
7 – 3 Fontes Médicas 
8 – Contato Pessoal 
9 – Desenho 
10 – Preparo 
11 – Chá 
12 – Magia 
13 – Astrologia 
14 – Emoção 
15 – Mitologia 
16 – Tintura
17 – Meditação 
18 – Artes 
19 – Personalidade 
20 – Nome Pessoal 
21 – Ler Nova Fonte Médica 
22 -- Escrever Nova Fonte I 
23 – Escrever Nova Fonte II 
24 – Escrever Nova Fonte III 
25 -- Talismã
26 – Canção/Poema 
27 -- Experiência 
28 – Pessoal 
29 – Valores do Herbalista 
30 -- Revisão 

...nos vemos em Março 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Um Prometeu Moderno?


É um filme do Guillermo Del Toro.
Nas suas palavras, o filme que ele nasceu para fazer.
Todas as suas características tradicionais -- o visual suntuosamente gótico-chic, a profunda humanidade dos monstros em contraponto à crueldade humana -- levadas às últimas consequências na mais nova versão do imortal conto-desafio de Mary Shelley.
Que, 210 anos depois, continua a levantar seu espelho sombrio diante da face da civilização moderna e sua ânsia de romper com os assim percebidos limites impostos pela Natureza.
O título deste texto é uma interrogação meramente retórica, porque obviamente, apesar do subtítulo original do conto, Victor Frankenstein NÃO é Prometeu: onde o antigo Titã amava a obra de suas mãos a ponto de se sacrificar para garantir sua dignidade e liberdade diante dos Deuses ciumentos, o arrogante barão rejeita sua criação porque ela não tem a narcísica perfeição que ele desejava, e ele não tinha a devoção e a paciência necessárias para educar a Criatura, nem mesmo acreditava que isso fosse possível. 
Então, Victor é o anti-Prometeu.
Mas, de um ponto Celta de vista, ele também é o anti-Miach: ousou violar as leis naturais, e criou um ser que nem balas, facas ou fogo podem destruir, mas diferente do filho de Dian Cecht ele reconhece no final seu erro como sua responsabilidade e pede perdão à vítima de sua arrogância.
Victor é na verdade o Fausto moderno, o que buscou poder e conhecimento além da medida sem procurar a sabedoria necessária para exercê-los sem causar o mal, e no processo apostou, e perdeu, sua alma.
E porque esta era tem inúmeros sucessores dele, os Frankensteins modernos, o tempo dos horrores está apenas começando. 

(PS: VÃO VER !!!)

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Ategina, Semana 30: Conselhos

Ao longo destas 30 semanas, tentei passar algo da natureza de Ategina, e é possível que, a essa altura, alguns dos que leram isto tenham tido uma reação de reconhecimento após o impacto do primeiro contato, quem sabe até mesmo algo como um chamado à ação -- e agora, o que fazer? Como dar os primeiros passos na trilha do santuário da Renascida?
Eu começaria bem devagar, sem pressa, sem a obrigação de ter tudo perfeito desde o primeiro dia de devoção; isso incluiria até mesmo uma advertência para não fazer nenhum juramento ou consagração ao serviço Dela nesta fase, que deveria ser puramente exploratória.
Primeiramente, muita leitura e pesquisa: eu mencionei vários autores, livros e sites, inclusive com os links, e é sempre bom ir atrás de informação confiável, sem delírios esquizotéricos ou charlatanice deslavada.
Junto com o estudo, que pode ocupar semanas ou meses, pode-se iniciar uma prática devocional simples, talvez uma oração pela manhã, oferendas simples como pão e vinho ou maçã, um altar mesmo que seja só uma vela, sem imagens ou símbolos; o objetivo é iniciar uma aproximação a Ela, uma intenção de tentar entendê-la e criar um relacionamento -- uma oração do tipo "eu ainda não a conheço bem, mas por favor aceite minhas oferendas, e deixe-me conhecê-la melhor", ou algo parecido, seria adequada à ocasião.
Preste atenção, ao longo do dia, nos presságios e eventos inusitados que ocorram, e anote cada sonho que tiver, mesmo que não pareçam fazer sentido, porque é aí que as respostas Dela às suas invocações poderão ser encontradas.
Se você fizer isso por algumas semanas, ou um contato mais direto ou uma certeza crescente de que esse não é o seu caminho vão se manifestar, e então aja de acordo com a resposta; talvez aí seja a ocasião para tentar a meditação visionária da semana passada, e prestar muita atenção nas imagens que surjam durante a visão.
Se chegar à conclusão de que este não é o seu caminho, despeça-se Dela com uma última oferenda e agradecimentos; se descobrir que está se sentindo em casa com esse relacionamento, agradeça a Ela por isso e aí, se quiser, faça um rito de dedicação agora (nada muito elaborado, apenas declare sua intenção de se ligar a Ela de modo mais comprometido), e seja bem-vindo à crescente congregação dos seus devotos!
Que estas Semanas de Ategina lhes sejam benéficas!
Bênçãos dos Deuses e não-Deuses aos que lêem isto!

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Ategina, Semana 29: Experiência Pessoal

Qualquer um de nós que teve a oportunidade de cultuar, e então contactar, alguma das Divindades antigas, tem inúmeras histórias para contar -- ou teria, se algumas delas não estivessem sob interdição por ordem da Divindade em questão e a maioria delas, como já disse, ocorrer de modo tão despretensioso e ordinário que simplesmente não teriam sentido para alguém fora da relação. Mas esta semana é a das vivências particulares, diferentemente dos testemunhos dados anteriormente, então vamos ver o que conseguimos...
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Você está diante de um monte tumular verde, numa planície verde, do outro lado de um rio de águas escuras; cruze o rio, raso e muito frio, até a outra margem, e caminhe ao redor do monte, no sentido anti-horário, até encontrar um caminho de subida ao monte (voltado para qual direção?), com dois pilares de pedra negra e uma terceira pedra suspensa sobre eles como entrada do caminho; suba ao monte e siga por uma trilha serpenteante e escura, com cheiro de terra, até uma luz bem no alto do monte.
Você contempla uma pilha de pedras que chega à sua cintura, coberta de flores secas, com um crânio de cabra sobre ela; os chifres são revestidos de prata, há uma vela preta na órbita esquerda, uma vela branca na órbita direita,  uma vela vermelha entre os chifres, e o crânio está recoberto de letras desconhecidas; faça uma reverência ao crânio e peça permissão para descer às profundezas, ofertando o ramo de cipreste que subitamente surge em suas mãos.
Se nada ocorrer, não é a ocasiao: agradeça, desça pela trilha, volte por onde veio.
Se for a ocasião...você subitamente cai para dentro do monte, uma escuridão fria e silenciosa, e após eras de queda você se percebe deitado na escuridão total, que lentamente deixa ver um círculo de pedras negras entremeadas com ossos brancos, e uma fogueira no centro que cheira a resina de cipreste.
Olhe para além do círculo à sua frente, veja o que (ou quem) há para ser visto; olhe à direita, atrás e à esquerda, dando tempo para perceber o que se revela ali.
Agradeça, vire de costas para o fogo central, deite-se, feche os olhos; num instante você flutua na escuridão sobre o abismo, no instante seguinte está diante do crânio de cabra no monte santo.
Sobre o altar há uma taça de cerãmica, na qual você bebe a mesma água fria do rio que cruzou para chegar aqui; ofereça a romã surgida agora em suas mãos como agradecimento, faça uma reverência, volte-se e desça pelo caminho, sem olhar para trás, até cruzar o portal de pedra.
Olhe a planície verde uma última vez (algo mudou?), cruze o rio para a outra margem, respire fundo e volte ao mundo do dia-a-dia.
Escreva o que viu e sentiu.
Escreva o que sonhar esta noite.
Não repita isso mais de uma vez por mês no início; mais tarde a visão pode ser repetida a cada sete ou nove dias.
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domingo, 10 de agosto de 2025

Ategina, Semana 28: Desconhecimento

O tema desta semana é vasto, desde que o que se sabe comprovadamente sobre Ategina é bem menos do que o que se desconhece...
Ela tinha outros títulos além dos encontrados nas inscrições dos seus altares? Existiram imagens Dela no período pré-sincretismo romano, e como eram elas? Há alguma placa inscrita com uma invocação completa, quem sabe partes da Sua liturgia, esperando que um arqueólogo empreendedor a encontre? Quais métodos eram usados para as defixiones no período pré-romano? Como era o processo de iniciação/consagração dos seus sacerdotes? Quantos e quais mitos sobre Ela existiam?
...e essas são só as minhas perguntas: juntando todos os interrogantes, sejam pagãos com interesses devocionais ou historiadores com interesses mais técnicos, nossa ignorância coletiva encheria livros inteiros só com essas confissões do não-saber -- e o desgosto de desconfiar que muitas destas perguntas não terão resposta é uma dor sem nome e sem medida.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Ategina, Semana 27: Enganos

Reavaliando o meu culto às Divindades celtolusitanas, vejo um erro de abordagem já no princípio, que está sendo corrigido pela crescente aproximação a Ategina.
Como disse antes, minha devoção quase exclusiva a Endovélico deixava os outros Numes em segundo plano, menções honrosas num culto para todos os efeitos henoteísta; nas cada vez menos raras ocasiões em que eu sentia o impulso para ampliar o foco e adotar (ou ser adotado) por uma outra Divindade padroeira, Ategina era a que primeiro aparecia diante de mim -- para ser imediatamente negada, sob o pretexto de que isso ficava com cara do par Deus&Deusa da Wicca (...) e não podia ser um chamado legítimo.
Mas as evidências se impõem à razão,  após serem inquestionavelmente aceitas pela intuição, e assim Ela veio para ficar.
E desde então, cada vez mais eu me convenço de que a devoção a um padroeiro específico é uma atitude arriscada por ser desequilibrada a longo prazo, tendendo a levar a uma identificação unilateral e possívelmente patológica com os arquétipos associados à Divindade em questão; o pareamento com outra Divindade tende a flexibilizar essa identificação por oferecer aspectos complementares e harmônicos à consciência do devoto, para sua saúde psíquica e espiritual.
"Coincidentemente", como dizem os profanos, semana passada eu conversava com uma pessoa do meio Pagão que estava justamente apresentando essa identificação excessiva com a sua Padroeira, e me veio a intuição de sugerir a ela incluir a devoção a outra Divindade que é tradicionalmente considerada sua consorte, com atributos praticamente opostos agindo para equilibrar as influências espirituais e psicológicas sobre ela, que disse que iria tentar.
Pode ser o meu lado libriano, eu sei, mas cada vez mais eu me inclino a recomendar a devoção a pares Divinos (que não precisam ser amantes: irmãos como Aengus e Brighid ou Modron como mãe de Mabon também valem), e agradeço a Ategina por me revelar isto e trazer mais harmonia à minha vida.