domingo, 8 de março de 2026

30DVII - Contato Pessoal

Diferentemente da amoreira, o louro não é uma espécie difundida no paisagismo urbano de São Paulo, não sei de nenhum exemplar disponível nas ruas daqui, então não tive um relacionamento mais próximo com ele desde a infância in natura.
 Como a maioria de nós, eu vim conhecer o louro na cozinha, aquelas folhas verdes e perfumadas que entravam na panela de pressão pra fazer o feijão e depois eram pescadas de dentro do prato já pronto, e sempre gostei muito dele.
Mas um relacionamento mais íntimo só veio a surgir anos depois, quando eu vim a conhecer os Deuses da Lusitânia, Endovélico entre eles, e reconheci o louro como uma de Suas plantas consagradas, com sua imagem gravada nos altares a Ele dedicados:

Na minha liturgia pessoal, uma folha de louro é oferecida a Ele todas as manhãs antes das oferendas às outras Divindades, e a cada 9 dias eu faço um rito centrado Nele onde 3 folhas, escolhidas entre as maiores e mais perfeitas, são amarradas juntas com um fio vermelho para formar um ramo sagrado, que se torna a chave do portal entre os mundos que Ele abre e guarda enquanto o rito durar -- no dia seguinte, as folhas são cerimoniosamente picadas com as mãos e vão forrar a tigela de oferendas devidamente esvaziada e lavada, e ali ficam até a próxima novena.
E é para aproximar mais esse contato que eu escolhi o louro como homenageado neste ciclo dos 30 Dias.

sábado, 7 de março de 2026

30DVII - 3 Fontes Médicas

Mantendo o mesmo padrão do ciclo anterior, eu vou me basear nas mesmas fontes já consultadas.
Physica, o tratado médico de Santa Hildegarda, menciona o uso do louro como elixir e bálsamo para tratar doenças respiratórias e reumáticas e revitalizar o organismo, pelo seu calor interno e suave que aquece, restaura e vivifica a alma.
O WebMD menciona mais 5 plantas chamadas "louro" além do L.nobilis, que não tem nenhum parentesco entre si, mas refere que há estudos indicando seu uso para reforçar o sistema imunológico, ajudar na digestão e possivelmente prevenir o surgimento da diabetes tipo 2 (neste último caso os estudos ainda são inconclusivos) e adverte contra seu uso em mulheres grávidas ou amamentando.
O PubMed, já na primeira página da busca por "bay laurel", lista artigos (4751 no total) sobre a possível ação do louro como anti-inflamatório e tratamento para a gordura no fígado (esteatose hepática), bem como o uso do óleo essencial de louro como preservante em alimentos e medicações.
Mais à frente vamos explorar os fatores bioquímicos implicados nesses usos, mas já deu pra perceber a riqueza oculta nessa folha verde e aromática. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

30DVII - Olfato/Paladar

Nada substitui a experiência direta, e os 30 Dias tem muitas oportunidades para isso; comecei por provar uma ponta de folha fresca de louro e uma de folha seca -- a fresca tem odor e sabor mais intensos, mas tem um fundo meio amargo que a torna meio contraindicada para a ingestão (é fazer o feijão, por exemplo, e retirar a folha antes de servir).
Fiz chá de louro com 1 xícara de água e 2 folhas grandes e secas, postas na água ainda fria e deixadas até a fervura, o chá abafado por 10 minutos antes de servir: suave, perfumado de modo discreto, quase incolor na quantidade usada -- daqui a 5 dias vou repetir o chá de modo mais elaborado e veremos como fica.

quinta-feira, 5 de março de 2026

30DVII - Colheita

Interessantemente, eu comecei esta edição dos 30 Dias no final do Verão, que é justamente o período da colheita do louro.
O plantio é feito na Primavera (e, em lugares mais frios, no Outono também), basta apenas cortar um galho, tirar as folhas da base e deixar algumas na extremidade e enfiar na terra (pode ser num vaso, de onde irá pra terra quando criar raízes); para colher as folhas, é melhor cortá-las com uma tesoura (o ato de arrancá-las com a mão pode lesar a casca do ramo e ocasionar doenças), dando preferência às folhas maiores e mais escuras, que são mais ricas em óleos essenciais.
As frutinhas (que são tóxicas para comer) são colhidas separadamente na mesma época e são a fonte do óleo essencial de louro, que veremos mais detalhadamente em postagens futuras.
Uma vez colhidas, as folhas são secadas ao ar livre (sem exposição ao Sol, que reduz os componentes da folha) ou em forno baixo, e então, guardadas em recipiente fechado e escuro, podem durar até um ano.
O que fazer com elas, é o que veremos a seguir.

quarta-feira, 4 de março de 2026

30DVII - Habitat

Há milhares de anos, todas as terras banhadas pelo que hoje é o Mediterrâneo eram cobertas por vastas florestas de louro (o qual, deixado em paz, cresce e se torna uma árvore de 12 metros de altura e tronco de 30 centímetros de diâmetro); quando o nível do mar baixou aos níveis atuais e o clima ficou menos úmido (no Plioceno) essas florestas recuaram para perto da costa e deram espaço às outras espécies que agora vivem lá, e a última delas desapareceu há mais ou menos 10 mil anos, restando ainda bosques isolados em toda a região costeira -- mas devido a seu uso cada vez mais difundido, suas mudas foram levadas a todas as partes, e hoje até aqui no Brasil ele é encontrado e devidamente apreciado.

terça-feira, 3 de março de 2026

30DVII - Nomes

Toda planta tem muitos nomes além daquele pelo qual é conhecida, é o louro não é exceção; ele também é Daphne (por razões que veremos mais à frente), Louro Grego, Laurier d'Apollon, Baig Tree, Lorbeer, e seu nome na classificação de Linneu é Laurus nobilis.
(mais à frente eu terei de encontrar um nome próprio para ele, como fiz com a amoreira, mas ainda tem chão nesse caminho).

segunda-feira, 2 de março de 2026

30DVII - Escolha

Neste ciclo vamos trabalhar com o Louro, uma das plantas que cheguei a cogitar na temporada passada: uma erva culinária, medicinal e mágica, cheia de usos e recursos, algo a se explorar com mais atenção.
Embarcando na jornada....