(não digam que não avisei!)
Então, ontem eu assisti Dia D.
O retorno do Spielberg ao tipo de cinema que fez dele o que é.
A descrição do enredo parece clichê -- uma apresentadora de TV e um especialista em informática trabalhando para uma ONG paramilitar tem seu caminhos cruzados pela possibilidade de, após 79 anos de negativas e desinformação, a verdade sobre a vida extraterrestre na Terra ser finalmente revelada -- mas, como sempre, é a forma pela qual essa história é contada que faz toda a diferença.
E encontramos a pergunta-tema do filme, "o que aconteceu comigo?" centrada em memórias de infância, brilhantemente apresentadas pelo diretor que soube mostrar a infância como nenhum outro (e que aqui conseguiu a tarefa impossível de mostrar uma abdução alienígena como um momento mágico).
Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, a canção-tema de Pinóquio, When You Wish Upon a Star, percorre o filme de uma ponta a outra e prenuncia a transformação, não do boneco em menino, mas do protagonista Roy em algo além de toda a sua imaginação; aqui a canção vem da Branca de Neve, Someday My Prince Will Come, e entendemos que Margaret também teve seu momento de, acompanhada de animais amigáveis, encontrar uma casa mágica no meio da floresta e deitar numa cama de cristal (assistam e entenderão)
Mas, olhando com olhos-de-druida, que vemos nesse filme? Eis que os pássaros são os mensageiros do (literalmente) Outro-Mundo, que Margaret, como os Awenyddion da tradição Galesa, fala em línguas estranhas e revela os segredos de cada coração desde que a Awen despertou nela, que não é à toa que os Deuses e não-Deuses costumam se valer de formas animais para o contato conosco, vemos várias instâncias do uso de um poder que só posso chamar do glamour da Boa Gente, e que, no diálogo crucial entre os líderes das duas facções, é revelado que a empatia é considerada a qualidade essencial neste mundo e nos outros, algo que qualquer Druida passado ou futuro sabe ser uma verdade indiscutível
(provavelmente Spielberg e os roteiristas tiveram contato com a obra de Jacques Vallée, ufólogo francês, que ao invés de pesquisar casos contemporâneos de aparições dirigiu sua atenção aos relatos e lendas medievais sobre cruzes, bolas e pratos luminosos nos céus, e pessoas pequenas com peles de cores diversas saindo e voltando de florestas, e concluiu que a fronteira entre ufologia clássica e mitologia folclórica era um tanto quanto arbitrária)
E tudo isso com a brilhante quase-ausência do mestre John Williams, que em vez de entregar composições com um protagonismo que rivaliza com os atores, aqui criou uma trilha sonora incaracteristicamente contida, discreta, um ou dois floreios sonoros mesmo nas cenas mais dramáticas, e que no final apoteótico culmina em...silêncio.
Pessoas em todo o mundo ligadas na TV ou nos seus celulares, assistindo ao vivo a revelação das revelações (lembrando que a palavra grega para isso é "apocalipse") em silêncio e contemplação: literalmente, o dia em que a Terra parou.
Mas essas palavras não dão mais que uma pálida ideia do filme, então VÃO VER!
E tudo isso com a brilhante quase-ausência do mestre John Williams, que em vez de entregar composições com um protagonismo que rivaliza com os atores, aqui criou uma trilha sonora incaracteristicamente contida, discreta, um ou dois floreios sonoros mesmo nas cenas mais dramáticas, e que no final apoteótico culmina em...silêncio.
Pessoas em todo o mundo ligadas na TV ou nos seus celulares, assistindo ao vivo a revelação das revelações (lembrando que a palavra grega para isso é "apocalipse") em silêncio e contemplação: literalmente, o dia em que a Terra parou.
Mas essas palavras não dão mais que uma pálida ideia do filme, então VÃO VER!