quinta-feira, 30 de abril de 2015

Morte, Vida



Amanhã os que seguem a Roda do Ano pelo Sul celebrarão o festival do Samhain, a Festa dos Mortos, o tempo em que os portais se abrem e o trânsito entre o Outro-Mundo e o nosso é livre -- sim, já falamos disso antes, mas desta vez eu quero me ater não ao relacionamento com os que já se foram daqui, mas à sua real natureza: quem, afinal, são os Mortos?
Milhares de livros, filmes & séries apresentam o Outro-Mundo como sendo uma cópia mais ou menos glorificada do nosso, onde as pessoas continuam sendo quem eram em sua vida terrestre, e tudo é lindo e feliz (ou horrível e miserável, dependendo do local...) -- mas vamos ver com olhos-de-Druida: se tivemos inúmeras vidas antes desta, porque os que morrem precisam se ater à forma, hábitos e personalidade da sua encarnação mais recente, ao invés de assumir outra? Ou melhor, qual é a essência comum detrás de todas as identidades encarnatórias, e será possível permanecer nesse aspecto intermediário?
Bom, dizem que a Natureza é a mestra dos Druidas, não? Olhando a foto acima, de uma cigarra saindo de sua velha e ressecada pele para a sua nova existência pós-metamorfose, o que vemos? Cinco minutos de olhada, pessoal, depois prosseguimos...
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...então, vejam só, há suficiente semelhança entre a casca morta e a cigarra viva para reconhecermos que são o mesmo indivíduo, mas as mudanças nas patas, as asas e a forma do corpo mostram que o novo ser é de uma ordem diferente do anterior: como isso se aplica à nossa questão?
Se somos diferentes quando morremos, se ficamos como um celular resetado ao "modo de fábrica" que permanece quando os corpos e as personalidades que tivemos se dissolvem no tempo, qual é o significado disso? Podemos experimentar essas noções por conta própria, ao invés de ter que confiar em sacerdotes ou escrituras?
Kristoffer Hughes, Arquidruida da Anglesey Druid Order (e legista certificado!), escreveu um belíssimo livro ano passado, The Journey into Spirit, onde ele analisa essa questão e sugere um experimento.

Já aconteceu de você acordar pela manhã e, entre o abrir os olhos e levantar, passar alguns segundos ou mesmo minutos sem lembrar onde está, o que vai fazer naquele dia, ou até mesmo quem é você?

Claro, todos nós já experimentamos isso alguma vez, um modo de pura consciência sem uma identidade específica que a acompanhe...e esse estado (que pode ser deliberadamente alcançado e exercitado pela prática da meditação) seria o da alma entre vidas, sem apego a alguma existência anterior em particular -- MAS, por outro lado, Hughes sugere que é pelas nossas lembranças do morto, a interação que tivemos com ele, que a alma pode estar presente, como que evocada por essas lembranças carregadas de afeto, e então ela pode "reassumir" sua identidade anterior como uma interface para o encontro: sem ectoplasmas, ritos em latim ou necromancias cinematográficas, simples, humilde e verdadeira evocação de alma a alma.
Amanhã, acenda uma vela, vasculhe os álbuns de velhas fotos, e convide os seus que voltam pela Porta entre os Mundos para um chá ou dois...



sexta-feira, 20 de março de 2015

Equinócio de Outono

Quando o Sol se fez escuro, na manhã do dia da Caçada do Javali, Ele já estava na floresta, seguindo pelas trilhas.
Olhou para o céu matinal por entre os ramos das árvores, viu as estrelas ressurgidas na noite restaurada, ouviu o súbito silêncio das aves intimidadas pela escuridão inesperada, e em todos estes presságios Ele viu o que seria desse dia.
(Não que ele já não soubesse, tendo repetido vezes sem fim o seu ciclo ritual -- os passos dessa dança cósmica lhe eram bem familiares, e os eventos celestes apenas acentuavam o tom dramático do que estava por vir, mas os hábitos do Oráculo que era o forçaram a parar por instantes para ler os sinais e deles extrair o sentido oculto).
A sombra passou, o dia nasceu após a pausa imprevista, e a Caçada seguiu, da aurora ao meio-dia, do meio-dia ao entardecer: logo Ele chegou na clareira no centro da grande floresta, e seguiu até a pedra elevada no centro das trilhas que ali se cruzavam.
Ele tocou as manchas de sangue que a recobriam, as mais recentes de meio ano atrás (quando foi a vez do Javali ser o sacrifício), as mais antigas se perdendo no tempo-fora-do-tempo, e esperou.
Logo (ou uma eternidade depois?) o som de galhos quebrados, o pânico de animais e aves fugindo da destruição encarnada que se movia entre eles, e o tremor que a pedra ecoava de cascos em corrida furiosa, anunciaram o fim da espera, e o Javali entrou na clareira sagrada.
Ele o saudou -- minha caça, meu irmão, meu outro eu, aqui estamos -- e ergueu a lança dourada, agora avermelhada pela luz do sol próximo do horizonte, dando o sinal para a dança começar; e era de uma dança que se tratava, ataque e defesa, avanço e recuo, golpe aparado revidado com contragolpe, uma eternidade (ou só um instante?) onde ambos deram o melhor de si, como sempre o davam, até que Ele fez o último passo, habilidosamente falho, que abriu a guarda para que o Javali o ferisse de morte, recuando então e esperando.
Ele andou os últimos passos, segurando a ferida fechada para não desperdiçar o sangue divino, a oferenda sagrada, que deixou correr livremente sobre a pedra.
O sacrifício está feito, disse Ele numa voz inesperadamente firme.
Andou até o Javali, que se curvou, todo furor agora cessado, e deixou que Ele montasse em seu dorso negro como a noite, negro como o manto Dele se tornava a cada instante, negro como a noite que agora chegava, o sol poente uma fração cor de sangue no horizonte.
Ele seguiu, montado no Javali, e ambos, opostos finalmente reconciliados, desapareceram na escuridão da floresta, nas trilhas que conduzem ao Outro-Mundo, onde Ele logo seria entronizado como o Senhor dos Mortos, e onde regeria na escuridão (tal como havia, até então, regido na luz) até a Roda girar novamente.
Porque é esse sacrifício recorrente, Deus e Fera, desde o início dos tempos, que mantém a Roda girando; é o sangue que impulsiona cada volta, e assim será para sempre.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Sir Terence David John Pratchett


Se fosse como num de seus vários livros da série de Discworld, hoje a Morte apareceria diante de Terry Pratchett (ou melhor, Sir Terence) e diria:

"SUA HORA CHEGOU. A PROPÓSITO, OBRIGADO POR ME DESCREVER TÃO BEM EM SUA OBRA"

(Ela está presente em todo livro da série, e sempre fala EM MAIÚSCULAS) -- depois da notícia trágica do seu diagnóstico de Alzheimer, que ele tenha partido tão já, aos 66, no meio de um último livro, não deixa de ser uma gentileza da Ceifadora...
Milhões de leitores espalhados pelo mundo (inclusive no Brasil, apesar das poucas e sofríveis traduções recentemente lançadas) vem seguindo a saga do Discworld nesses 32 anos desde o primeiro livro, "A Cor da Magia", encantados pela mistura de fantasia clássica, humor britãnico, e a mais surpreendente filosofia humanista, com tiradas como:

"O problema de se ter uma mente aberta é que as pessoas teimam em chegar e tentar colocar coisas dentro dela"

E muitos no meio Pagão já se perguntaram se ele seria secretamente um de nós, porque a percepção dele sobre bruxas, magia, deuses e o Universo é de uma profundidade e sabedoria tais que dão o que pensar -- coisas como:

"Bruxas não acreditam em deuses. Claro, elas sabem que eles existem, e tudo o mais, mas é que elas não acreditam neles, justamente porque os conhecem bem demais. Seria como começar a acreditar no carteiro, ou algo assim"

Mas é em diálogos como o da Morte com Susan, sua neta adotiva (NÃO perguntem, vão ler!) em "Hogfather", que ele chega ao seu melhor:

" 'Tudo bem', disse Susan, 'eu não sou estúpida. Você está dizendo que os humanos precisam de...fantasias para tornar a vida suportável.'
NÃO. HUMANOS PRECISAM DE FANTASIA PARA SER HUMANOS. PARA SER O PONTO ONDE O ANJO CAÍDO ENCONTRA O MACACO EM ASCENSÃO.
'Fadas-do-dente? Hogfathers?'
SIM. COMO PRÁTICA. VOCÊS TEM QUE COMEÇAR APRENDENDO AS PEQUENAS MENTIRAS.
'Para daí acreditarmos nas grandes?'
SIM. JUSTIÇA. DEVER. MISERICÓRDIA. ESSE TIPO DE COISAS.
'Mas isso não é a mesma coisa!'
É MESMO? ENTÃO PEGUE O UNIVERSO, PULVERIZE-O ATÉ O PÓ MAIS FINO E PENEIRE-O NA PENEIRA MAIS FINA, E ENTÃO MOSTRE-ME UM ÁTOMO DE JUSTIÇA, UMA MOLÉCULA DE MISERICÓRDIA. E NO ENTANTO VOCÊS AGEM COMO SE HOUVESSE ALGUM TIPO DE ORDEM NO UNIVERSO PELA QUAL ELE POSSA SER JULGADO.
'Sim. Mas as pessoas tem que acreditar nisso, ou então qual é o sentido de tudo?'
EXATAMENTE. VOCÊS PRECISAM ACREDITAR EM COISAS QUE NÃO SÃO VERDADEIRAS. DE QUE OUTRO MODO ELAS PODEM VIR A SÊ-LO?"


Ele sabia que seus dias estavam contados, mas isso não o fez deixar de criar livros (ditando quando não podia mais escrever) nem o fez mudar sua posição sobre si mesmo e seu lugar na ordem das coisas.
Bênçãos dos Deuses e não-Deuses a ele em sua jornada!
Que Endovélico o conduza serenamente ao seu lugar de direito entre os Sábios no Outro-Mundo!


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Memória


Eu não estava planejando escrever nada, mas fui lembrado que hoje, 24 de Fevereiro, é o Dia da Memória Pagã, comemorado em lembrança dos nossos antecessores das várias fés pré-cristãs (que no Druidismo chamamos de Ancestrais do Espírito)-- a referência da data vem do edito de Teodósio I, imperador romano cristão, que neste dia em 391 dEC desfez todo o trabalho que seu antecessor Juliano, desdenhosamente chamado "Apóstata", havia realizado no sentido de deter a erradicação dos cultos antigos pelo fanatismo monoteísta e iconoclasta da nova fé, protegendo as religiões não-cristãs em todo o Império e decretando a liberdade irrestrita de culto para todos, sem exceção -- mesmo que chamasse os cristãos de "galileus" e desprezasse suas igrejas como sendo "ossários", pelas relíquias de santos nelas contidas, não os proibiu de nada, exceto de perseguir as outras religiões (o que, para o fanatismo deles, já era opressão demais...).
Já comentei antes que essa obsessão pela exclusividade de devoção que caracteriza o Ciumento e seus devotos, cristãos ou islãmicos (os judeus, misteriosamente, desenvolveram imunidade natural ao vírus proselitista) nunca deixou de existir, como as notícias de terreiros dos cultos afro-brasileiros vandalizados por evangélicos a mando de seus pastores ignorantes, ou o que as milícias como o Taleban ou o Estado Islãmico fazem com qualquer coisa ou pessoa que pareça contrária às suas crenças; mais cedo ou mais tarde, teremos que tomar uma atitude contra isso, quanto mais não seja para nos defendermos, e às nossas crenças, de ataques, ameaças e mesmo da aniquilação total.
Neste dia, se for da sua vontade, acenda uma vela por Juliano, Hipátia, e pelas miríades de pagãos antigos que lutaram para defender seu direito fundamental à existência, liberdade de culto, associação e expressão, e que, estando na própria origem da civilização ocidental moderna, e assim sendo os criadores do conceito tão "moderno" e tão pouco exercido da Democracia, são responsáveis por podermos viver (e re-viver) nossas fés e falar livremente delas, neste blog e em toda a parte -- e prepare-se para defender estes direitos para as gerações futuras!


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Endovélico, Semana 30: Conselhos

Ao longo destas 30 semanas, tentei passar algo da natureza de Endovélico, meu padroeiro, e é possível que, a essa altura, alguns  dos que leram isto tenham tido uma reação de reconhecimento após o impacto do primeiro contato, quem sabe até mesmo algo como um chamado à ação -- e agora, o que fazer? Como dar os primeiros passos na trilha do santuário do Muito-Bom?
Eu começaria bem devagar, sem pressa, sem a obrigação de ter tudo perfeito desde o primeiro dia de devoção; isso incluiria até mesmo uma advertência para não fazer nenhum juramento ou consagração ao serviço dele nesta fase, que deveria ser puramente exploratória.
Primeiramente, muita leitura e pesquisa: eu mencionei vários autores, livros e sites, inclusive com os links, e é sempre bom ir atrás de informação confiável, sem delírios esquizotéricos ou charlatanice deslavada.
Junto com o estudo, que pode ocupar semanas ou meses, pode-se iniciar uma prática devocional simples, talvez uma oração pela manhã, oferendas simples como pão e vinho, um altar mesmo que sem imagens ou símbolos; o objetivo é iniciar uma aproximação a ele, uma intenção de tentar entendê-lo e criar um relacionamento -- uma oração do tipo "eu ainda não o conheço bem, mas por favor aceite minhas oferendas, e deixe-me conhecê-lo melhor", ou algo parecido, seria adequada à ocasião.
Preste atenção, ao longo do dia, nos presságios e eventos inusitados que ocorram, e anote cada sonho que tiver, mesmo que não pareçam fazer sentido, porque é aí que as respostas dele às suas invocações poderão  ser encontradas.
Se você fizer isso por algumas semanas, ou um contato mais direto ou uma certeza crescente de que esse não é o seu caminho vão se manifestar, e então aja de acordo com a resposta; talvez aí seja a ocasião para tentar a meditação visionária da semana passada, e prestar muita atenção nas imagens que surjam durante a visão.
Se chegar à conclusão de que este não é o seu caminho, despeça-se dele com uma última oferenda e agradecimentos; se descobrir que está se sentindo em casa com esse relacionamento, agradeça a ele por isso e aí, se quiser, faça um rito de dedicação a ele agora (nada muito elaborado, apenas declare sua intenção de se ligar a ele de modo mais comprometido), e seja bem-vindo à crescente congregação dos seus devotos!
Que estas Semanas de Endovélico lhes sejam benéficas!
Bênçãos dos Deuses e não-Deuses aos que lêem isto!


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Endovélico, Semana 29: Experiência Pessoal




Qualquer um de nós que teve a oportunidade de cultuar, e então contactar, alguma das Divindades antigas, tem inúmeras histórias para contar -- ou teria, se algumas delas não estivessem sob interdição por ordem da Divindade em questão e a maioria delas, como já disse, ocorrer de modo tão despretensioso e ordinário que simplesmente não teriam sentido para alguém fora da relação. Mas esta semana é a das vivências particulares, diferentemente dos testemunhos dados anteriormente, então vamos ver o que conseguimos...
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Você está diante de um monte tumular verde, numa planície verde, do outro lado de um rio de águas escuras; cruze o rio, raso e muito frio, até a outra margem, e caminhe ao redor do monte, no sentido anti-horário, até encontrar uma entrada no monte (voltada para qual direção?),  com dois pilares de pedra negra e uma terceira pedra suspensa sobre eles; entre no monte e siga por um corredor estreito e escuro, com cheiro de terra, até uma luz bem no coração do monte.
Você está numa cãmara de terra revestida por pedras enormes, e na parede oposta à entrada uma imagem de Endovélico em pedra negra o encara com olhos de pedra branca (como é a imagem?); uma mesa de pedra à frente da imagem apresenta duas lãmpadas de óleo acesas, e uma bacia de cobre para oferendas; dê o que acaba de surgir em suas mãos (o que é?) e peça permissão para descer, com suas próprias palavras, ajoelhado diante do altar.
Se nada de especial acontecer, a permissão não foi concedida; agradeça mesmo assim e saia pelo corredor até o lado de fora, atravesse o rio de volta e encerre a visão.
Se você encontrar um buraco largo e escuro sob o altar, você ganhou salvo-conduto de ida e volta; agradeça, entre no poço, encontrando degraus sob os pés, e desça com cuidado, mão esquerda tocando na parede ao lado, girando para baixo no sentido horário; a luz vai ficando mais distante na câmara acima, até desaparecer, e a descida se faz na escuridão total.
Tão profunda é a escuridão que mesmo os olhos da mente tentam preenchê-la com luzes, cores e imagens; em certo ponto os degraus terminam, mas as cores e luzes se organizam numa imagem clara...
...uma planície à luz da Lua (qual fase?), e um caminho sob seus pés; siga o caminho até chegar numa encruzilhada, quatro vias encontrando-se num ponto central. Um grande crânio de javali está no chão, uma vela negra na órbita esquerda, uma vela branca na direita, e uma vela vermelha na testa, e na sua luz vemos varias letras de uma escrita desconhecida cobrindo o osso branco, as presas revestidas de ouro; em suas mãos está um ramo de pinheiro, que é ofertado diante do crânio, enquanto você se levanta e olha.
Olhe o caminho à frente por alguns instantes, e veja o que houver para ver nessa direção; repita isso nos caminhos da direita, de trás e da esquerda.
Dê tempo para ver o que acontece, ou quem se aproxima...
Ao terminar, faça uma reverência ao crânio, dê meia-volta e saia; mesmo se ouvir qualquer coisa às suas costas, não olhe para trás, mas siga pelo caminho por onde veio até a imagem se desvanecer e a escuridão voltar.
Encontre os degraus apalpando na escuridão, suba com a mão direita na parede, no sentido anti-horário, até sair do poço sob o altar da cãmara; em suas mãos está um ramo de louro, que é ofertado no altar em agradecimento.
Sobre o altar há uma taça de cerãmica, na qual você bebe a mesma água fria do rio que cruzou para chegar aqui; agradeça, saia pelo corredor até o lado de fora.
Olhe a planície verde uma última vez (algo mudou?), cruze o rio para a outra margem, respire fundo e volte ao mundo do dia-a-dia.
Escreva o que viu e sentiu.
Escreva o que sonhar esta noite.
Não repita isso mais de uma vez por mês no início; mais tarde a visão pode ser repetida a cada sete ou nove dias.
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Essa visão me foi dada há muito tempo, e foi mudando a cada vez até a forma atual, que compartilho aqui --- que lhes seja de proveito!


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Endovélico, Semana 28: Desconhecimento

O tema desta semana é vasto, desde que o que se sabe comprovadamente sobre Endovélico é bem menos do que o que se desconhece...
Ele tinha outros títulos além dos encontrados nas inscrições dos seus altares? Existiram imagens dele no período pré-sincretismo romano, e como eram elas? Há alguma placa inscrita com uma invocação completa, quem sabe partes da sua liturgia, esperando que um arqueólogo empreendedor a encontre? Quais métodos eram usados para a incubação dos sonhos oraculares? Como era o processo de iniciação/consagração dos seus sacerdotes? Quantos e quais mitos sobre ele existiam?
...e essas são só as minhas perguntas: juntando todos os interrogantes, sejam pagãos com interesses devocionais ou historiadores com interesses mais técnicos, nossa ignorância coletiva encheria livros inteiros só com essas confissões do não-saber -- e o desgosto de desconfiar que muitas destas perguntas não terão resposta é uma dor sem nome e sem medida.