segunda-feira, 28 de julho de 2025

Ategina, Semana 26: Relacionamento

Começo a discussão desta semana dizendo que, diferentemente do meu relacionamento com Endovélico, o com Ategina partiu de uma posição menos, digamos assim, compulsória: Ele surgiu e deixou claro que o relacionamento que ali se iniciava seria uma das coisas mais importantes da minha vida, senão a maior delas, e o contato e conhecimento das outras Divindades veio como consequência dele, como planetas acompanhando seu Sol pelas trilhas escuras do espaço.
Mas ocorreu que ter acrescentado a prática ritual de incluir na celebração dos Equinócios o rito da Descida/Retorno do Outro-Mundo, e honrar Ategina junto com Endovélico nestes pontos críticos da Roda, levou a uma crescente aproximação Dela, que cada vez mais deixava de ser uma parte acessória do rito para se destacar das outras Divindades do meu culto, e Sua importância só fez crescer no último ano -- isso acabou culminando em me sentir chamado, de modo sutil mas inequívoco, a fazer um ciclo das 30 Semanas só para Ela como parte do processo de aproximação/consagração.
E por isso eu repeti a ilustração que usei na 26a. Semana de Endovélico, porque aqui também o relacionamento é algo construído a quatro mãos, sustentado tanto pelo meu estudo e esforço quanto pela vontade Deles em se fazerem presentes em minha vida e meu mundo, e juntos estamos plantando a semente de um futuro ainda ignorado mas já pressentido.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Ategina, Semana 25: Testemunho Negativo

(copio o que escrevi no ciclo de Endovélico,  porque realmente não há como dizer estas coisas de modo mais claro)
Agora entramos num caminho acidentado.
Eu posso dizer, sucintamente, que em várias ocasiões pedi coisas a Ategina que não me foram concedidas, mas se ficar só nessa afirmação isso soaria como uma queixa magoada ou uma afirmação resignada de fé ou mesmo uma desconfiança básica no próprio valor Dela como uma divindade digna de culto, e por isso vamos ter que expandir a discussão...
Os últimos 2 mil anos de monoteísmo compulsório nos fizeram crer que o Único deus (ou Deus, como ele gosta de ser chamado) não pode ser senão onipotente e onisciente, ou não seria Deus; claro, isso não dura senão até o velho paradoxo

"Deus pode criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele poderia levantá-la?"

...que não era um paradoxo para as fés politeístas, para as quais as Divindades, mesmo sendo imensamente mais poderosas e sábias que os seres humanos, ainda assim tinham limites perfeitamente óbvios e naturais ao seu poder e sabedoria, e para quem a pergunta acima simplesmente não faz sentido algum.
O tema desta Semana, ou seja, em que situações eu fiz pedidos a Ategina que não me foram concedidos, não pode ser corretamente entendido se não olharmos os pressupostos da cultura ocidental cristã dos últimos dois milênios -- aquilo que a Filosofia e a Teologia chamam de "O Problema do Mal", ou seja,

"porque um Deus amoroso e todo-poderoso permite a existência da injustiça, da doença e do mal no mundo?"

Filósofos já abordaram o tema de modo negativo: se Deus não pode eliminar o mal da Criação, Ele é impotente; se pode, mas não o faz, Ele é desumano; em qualquer caso, Ele não é digno de nossa devoção -- os teólogos mais ortodoxos, por outro lado, consideram tudo como sendo um Mistério, ininteligível à compreensão humana, e portanto não devemos perder tempo com essas perguntas perigosas e possívelmente heréticas...
E mesmo no meio esotérico/pagão a questão continua sem resposta, agravada por interpretações distorcidas de conceitos ocultos como o karma e a evolução espiritual -- sofremos, segundo essa visão, por consequência do que fizemos de errado em vidas passadas, e é tudo para o nosso aprendizado; ou, mais recentemente, segundo certos livrinhos nefastos de auto-ajuda, sofremos porque criamos errado a nossa realidade, e é tudo responsabilidade nossa.
(...desafio essa gente espiritualizada a dizer isso aos pais daquela criança morrendo de câncer, olhando bem nos olhos deles, e depois que eles acabarem de quebrar cada dente de suas INÚTEIS bocas, aplicar esses "ensinamentos" à sua própria situação!)
O que as fés antigas tem a dizer a respeito disso, eu aqui escrevo: o Universo está repleto de coisas que nos são benéficas, indiferentes ou danosas; os Deuses, pela nossa experiência (a minha, a de meus companheiros pagãos, e a de milênios de observação atenta) são benevolentes e justos, e nos exortam a exercermos a benevolência e a justiça do melhor modo que pudermos; se eles não tem poder, individual ou coletivamente, para eliminar o mal e a imperfeição do mundo, pelo menos nos dotaram de razão, compaixão e coragem para enfrentar esses males e imperfeições na medida do possível, e nunca nos negam auxílio nisso (entendido como um reforço da razão, compaixão e coragem dentro de nós).
Se eu estivesse diante daqueles pais daquela criança acima mencionados, eu não perderia meu tempo ou o deles tentando "explicar" o porque daquela situação de sofrimento físico e emocional; eu perguntaria o que poderia fazer para ajudar, e faria o que estivesse ao meu alcance, porque é o certo e justo a se fazer numa situação dessas, e porque os Deuses preferem ações plenas, mesmo que limitadas, a palavras vazias, porque é através de mim que Eles agiriam ali.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Ategina, Semana 24: Testemunho Positivo

Depois destas semanas de ver Ategina manifestada nas artes, esta semana volta ao campo pessoal -- como e quando um pedido a Ela feito é atendido, e de que modo isto se manifesta em minha vida?
Passei a semana tentando lembrar de um momento em especial, alguma coisa mais dramática, algum evento tão portentoso que deixasse o mais cético dos leitores de boca aberta: "Ooooohhhhhh..." mas não me lembrei de nada assim.
Não é que não me lembre propriamente, porque eu tenho o costume de anotar toda a minha prática em diário há quase 20 anos, e essas anotações incluem vários episódios de graças concedidas; a questão é que virtualmente todas elas ocorrem de modo tão simples e direto, sem trovões ou raios de Luz divina vindos do alto (ou, no caso Dela, de baixo...) que poderiam perfeitamente bem passar desapercebidas como tal sem o hábito do registro diário.
A Senhora da Colheita obviamente não se manifesta literalmente assim na minha vida de urbanícola, mas a minha "colheita" vem na forma de oportunidades pessoais e profissionais que surgem "casualmente" no meu caminho, com sinais que só são claramente Dela para mim e passariam desapercebidos a observadores externos; quanto à Rainha dos Mortos, eu frequentemente A invoco para recém- falecidos para que sejam bem-recebidos em Seu reino, mas acho que só vou saber da eficácia destes pedidos quando for a minha vez de chegar lá.
Este é o meu testemunho de Ategina.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Ategina, Semana 23: Literatura Evocativa

Há quem considere este livro o melhor saído da pena do grande C.S.Lewis, aquele das Crônicas de Nárnia
(ele também achava isso).
Até que Tenhamos Rostos é nada mais, nada menos, que o recontar do mito clássico de Psique e Eros, desta vez narrado por Orual, irmã mais velha de Psique e herdeira do reino.
Uma feroz acusação contra os Deuses e Suas condutas aparentemente impiedosas.
Um lamento pelo destino trágico de sua irmã mais nova, condenada a se casar com um monstro, sofrendo toda sorte de vicissitudes decorrentes desta união maldita
(ou pelo menos assim pareceu aos olhos da enlutada Orual).
Mesmo no dia a dia de seus deveres como Rainha, ainda assim ela participou, mesmo que à distância e como um sonho, das provas a que Psique foi submetida para reencontrar seu esposo divino.
E isso fez cada palavra de seu libelo soar carregada de revolta contra Aqueles que permitiram tanto sofrimento
(mas o livro de Orual tem um posfácio, e nele vemos que a ela, no final, foi revelada a verdade oculta por detrás do drama de Psique, o que a faz entender a estranha, incompreensível e eterna justiça que move Suas ações).
E se vocês ainda se chocam com a idéia do leão Aslan como sendo a face do Cristo em Nárnia, só digo isso: vocês ainda não viram NADA...

VÃO LER!!!