Já vimos que as evidências arqueológicas do culto de Ategina se dividem entre várias localidades da Península Ibérica, em especial a portuguesa Elvas e as espanholas Mérida e Cárceres, e também aprendemos sobre sua associação onomástica com a enigmática Turobriga, que ninguém sabe ao certo onde ficava (o verbete da Wikipedia em espanhol a localiza na província de Aroche, mas isso não é unanimidade entre os acadêmicos especializados).
O artigo da pesquisadora Cristina Lopes na revista Arqueologia em Portugal sugere a possibilidade de que o centro/origem do culto de Ategina era em Turobriga, e de lá teria se irradiado para as localidades mais conhecidas; então ela passa a descrever as escavações em Alcuéscar, Cáceres, região de fronteira entre os povos Lusitano, Vetão, Celta, Túrdulo e Celtibérico, um vale de águas ferruginosas e medicinais que, curiosamente, é idêntico à descrição do lucus feroniae, o bosque sagrado de Mérida, e reforça a importância do rio Guadiana como parte da sua geografia sagrada.
Dada a carência de locais atestados e a impraticidade de se deslocar até algum deles (exceto, eventualmente, no caso de uma peregrinação se a possibilidade se apresentar), o que resta aos devotos modernos?
Fazer altares domésticos é a solução ideal (e provavelmente a mais correta historicamente, porque o culto à luz da lareira tinha prioridade sobre a devoção nos santuários públicos); no entanto, não posso encerrar a discussão desta semana sem falar na Vila Pagã, a inacreditável e audaciosa iniciativa de Rafael Nolêto ao criar uma comunidade pagã pública e aberta à visitação no Piauí, e que dentre seus múltiplos templos abriga um santuário exclusivo às Divindades iberolusitanas, em especial Ategina, Endovélico, Nábia e Trebaruna - um dia eu estarei lá, diante de Suas imagens, prestando culto à Dea Domina Sancta como deve ser...
Divination For 2026
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We can move through life mindlessly and end up getting hurt. We can be
afraid of losing what we have and settle for good enough. Or we can build
on what we...
Há 12 horas
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