Esta é uma das semanas em que eu poderia falar do tema em um parágrafo e o resto seria para encher linguiça, mas o tema parte de pressupostos e leva a consequências que merecem uma discussão mais extensa.
Começando pela questão mais imediata: porque fazemos oferendas de comidas e outros itens materiais aos Deuses, isso não é primitivo demais? Essa pergunta é bastante comum, não só fora das fés pagãs como no seio delas, e para responder a isso seria bom olharmos a sequência das versões da Liturgia da ADF -- no início a ênfase era em oferendas imateriais, geralmente música, canto ou poesia, sendo a resposta emocional dos participantes do rito às performances dos ofertantes parte essencial da oferenda, mas com o tempo a prioridade passou às oferendas materiais, e a declaração de membros da ADF a respeito mencionava várias razões para essa escolha: um afastamento deliberado da "imaterialidade" associada à espiritualidade judaico-cristã, antecedentes históricos e arqueológicos de oferendas em rios e lagos, e uma declaração enfática do valor intrínseco e sacralidade do mundo material e tudo o que ele contém. Claro, não é a substância material em si que Deuses, Ancestrais e Espíritos da Natureza levam da oferenda, mas a sua contraparte anímico-energética, juntamente com a devoção associada ao ato físico da oferenda.
A outra pergunta que surge desta é a seguinte: os Deuses necessitam receber oferendas, há uma carência neles que a oferenda preenche? Se assim fosse, eles teriam todos perecido quando seus cultos foram terminados pelo monoteísmo predatório, o que não foi em absoluto o que ocorreu, como qualquer politeísta moderno pode confirmar -- a função da oferenda é exatamente a mesma de uma ou mais pizzas numa mesa cheia de amigos: uma troca de energia e presentes, um reforço dos laços de amizade, um pretexto para os participantes desses laços sentarem juntos em alegria. Nós não a vemos como um dízimo a ser pago, ou pior, como um jeito de comprar o favor divino e forçá-lo a acontecer em troca do que foi ofertado, como tantas igrejas modernas blasfemamente afirmam a seus rebanhos.
Quando ofereço folhas de louro, uvas, pão preto, vinho ou carne de porco a Endovélico, eu o faço em sinal de gratidão pelas boas coisas da minha vida, que não são poucas, com oferendas especiais a cada nove dias da minha semana ritual (ontem, dia da I Conferência Paulista de Druidismo e RC, foi um desses dias), sem me sentir aviltado ao pagar tributo nem aviltar meu padroeiro ao comprá-lo com minhas ofertas, mas como companheiros partilhando um banquete: "tome, é todo seu".
Divination For 2026
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We can move through life mindlessly and end up getting hurt. We can be
afraid of losing what we have and settle for good enough. Or we can build
on what we...
Há 12 horas
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