Eu iria falar aqui sobre Stonehenge, Newgrange, Tara, Glastonbury e tantos outros lugares ditos sagrados, mas outras pessoas já o fizeram melhor que eu -- a questão dos espaços sagrados, sejam domésticos (altares) ou exteriores (santuários), não pode ser entendida se não pararmos agora e analisarmos um ponto importante.
Mais uma vez, quando olhamos com olhos de Druida a palavra "sagrado", o que vemos aí? Nada menos que o pressuposto que o grande Mircea Eliade descreve quando fala que o sagrado se distingue do profano e é por ele definido -- ou seja, há lugares, objetos, seres e situações "não-sagrados", e o mundo é um oceano de profanidade com esparsas ilhas onde o sagrado se manifesta...
Muitos foram os que perceberam isso antes de mim, claro, mas acabaram caindo no erro oposto de achar que "tudo é sagrado" (e até mesmo atribuir essa visão de mundo aos Celtas antigos!) -- no entanto, como disse um sábio, "se todo mundo é especial, isso significa que ninguém é".
"Mas", dirão vocês, "o sagrado existe, há uma grande diferença entre o que eu sinto diante do meu altar e passando pelo depósito de lixo perto de casa!"
Sim, a experiência do sagrado, do numinoso, da Presença é real, até mesmo para leigos totais no assunto: porém, me parece que a questão foi descrita de modo certeiro e irretocável por Aldous Huxley:
"Se as portas da percepção fossem abertas, tudo pareceria ser como é, infinito"
Ah, então é uma questão de saber ver?
O grande bardo William Blake já dizia:
"Para ver o Mundo num grâo de areia
e o Paraíso numa flor silvestre,
Segura o Infinito na palma da mâo
e a Eternidade numa hora"
Agora vemos que ambas as visôes descritas no começo são viáveis em si mesmas e compativeis entre si -- tudo é sagrado, mas nós às vezes não sabemos ver do jeito certo e aí fazemos distinção entre sagrado e profano.
Já foi dito no meio druídico que o Outro-Mundo não é mais que este mundo quando visto com outros olhos; do mesmo modo, o que distingue os santuários mencionados nas primeiras linhas deste texto dos outros lugares "comuns" é que lá, por uma série de fatores, é mais fácil ao observador olhar-de-outro-modo e perceber a Presença manifesta -- se ele fizesse a mesma coisa, digamos, na cozinha da sua casa, ele a descobriria como um lugar sacrossanto, o Santuário do Fogo do Lar, e essa experiência mudaria o modo como ele se comporta ali (talvez ele passasse a rezar antes de cozinhar ou comer, talvez criasse um minialtar numa prateleira da janela, quem sabe?)
E por esse prisma, vemos que não existe "consagração", o ato ritual de tornar sagrada alguma coisa: o rito, se for bem feito, apenas nos desperta a atenção para a sacralidade já presente ali, da qual nos havíamos esquecido ou ignorávamos, e essa atenção abrange o celebrante e os presentes ao rito -- o que é um dos motivos pelos quais a tradição druídica de ritos abertos ao público é fundamental no processo de educar a consciência coletiva sobre a verdadeira natureza da Natureza, e mostrar que coisas simples como recolher o lixo num parque são cerimônias sagradas para quem sabe ver-com-olhos-de-Druida.
Bendito o Sagrado, que é em toda parte
Benditas as partes onde o Sagrado se revela
Benditos os que sabem que o Sagrado
é Aqui e Agora
Divination For 2026
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We can move through life mindlessly and end up getting hurt. We can be
afraid of losing what we have and settle for good enough. Or we can build
on what we...
Há 12 horas
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