Não sabia que essa repulsa, e a paixão no olhar do deus à sua frente, eram frutos das flechas da vingança de Eros.
De quem Apolo zombou, ao vê-lo tão pequeno empunhando um arco tão grande, à beira do rio Ladon.
Onde Apolo foi enviado para se purificar, como penitência imposta por Gaia.
Que estava ultrajada por ele ter abatido Python, a serpente sagrada de seu santuário em Delfos
...e mesmo sem saber disso tudo, ela sabia que devia fugir.
E longa foi sua fuga, e a perseguição que a motivava.
E quando tudo parecia perdido, a terra se abriu sob seus pés e a engoliu
(há quem diga que foi o rio Ladon, seu pai, que fez isso, há quem diga que foi Gaia, de quem ela era sacerdotisa).
E sobre a fenda agora fechada, o primeiro loureiro ergueu sua verde ramagem em advertência e desafio ao impetuoso perseguidor.
Que caiu em si, toda paixão tornada arrependimento, e abençoou e consagrou a si a nova árvore, que batizou com o nome da náiade desaparecida
(dizem que ela foi conduzida por rios subterrâneos no seio da terra, e que chegou à ilha de Creta, onde encontrou santuário em um outro templo de Gaia).
Assim os aedos antigos, coroados de louro, cantaram inspirados pelas Musas do cortejo de Apolo.
Quem tiver ouvidos, que ouça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário